quarta-feira

Cantor pop britânico fará show no brasil


O cantor britânico, Seal, fará uma turnê na América Latina. Ele estará no Brasil entre 25 de Março e 05 de Abril, fará shows em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, entre outras capitais (ainda não confirmadas).Seal ficou conhecido na década de 1990 quando ganhou projeção mundial com os sucessos “Crazy” e “Kiss From A Rose” - tema da trilha-sonora do filme Batman Forever, de Joel Schumacher - Seal ganhou diversos prêmios com esta canção. Este ano ele foi indicado ao Grammy na categoria de melhor performance vocal masculina com a faixa “Amazing”, de seu mais recente álbum “System”.Ele apresentará, para o público brasileiro, sua mistura de ritmos que transitam pelo soul, folk, dance, rock e pop. Ainda não foram divulgadas as datas exatas das apresentações em cada cidade, nem onde elas acontecerão. Fique ligado na Revista Afro Bahia. Assim que tivermos a informação divulgaremos.

Movimento de Cultura Popular do Subúrbio


Remanescente do Quilombo Urubu, a comunidade de São Bartolomeu tem uma população de mais de 3.300 moradores, composta em sua maioria de afro-descendentes. Marcado pela pobreza, o bairro tem um alto índice de desemprego, principalmente entre a população mais velha. Pensando nisso, o Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (MCPS), que antes trabalhava somente com grupos de cultura, decidiu ampliar a sua atuação também para gerar emprego e renda para a comunidade de São Bartolomeu. O resultado foi a criação do projeto Moda Afro-Cidadã, que deste o início do ano está beneficiando 38 mulheres negras das comunidades de São Bartolomeu e Rio Sena, localizadas na região do Subúrbio Ferroviário de Salvador, no estado da Bahia. As comunidades fazem parte do grupo de 200 terreiros e comunidades quilombolas que, em 2007, foram incluídos no Projeto Empreendedores da Economia Solidária, impulsionado pelo Sebrae/Bahia. De acordo com o coordenador do MCPS, Raimilton Carvalho, o projeto se encontra em fase de conclusão, uma vez que um de seus objetivos principais, que era dar sustentabilidade ao empreendimento, está prestes a ser conquistado. Segundo ele, as produtoras receberam, ao longo do ano, oficinas de capacitação em costura, modelagem e corte, facilitadas por uma estilista contratada pelo projeto. "Agora as mulheres já estão produzindo e comercializando em feiras e na própria comunidade", comemora Raimilton. O empreendimento entra no mercado com a proposta de oferecer uma moda voltada para o público afro-descendente, ramo ainda pouco explorado pelo setor de confecção. "Apesar de 82% da população de Salvador ser de afro-descendentes, as confecções voltadas para a moda afro ainda são muito acanhadas", diz o coordenador. Outra particularidade do empreendimento é a forma como as mulheres trabalham para produzir suas peças. Segundo Roberta Barbosa dos Santos, uma das participantes do projeto, "todas participam de tudo". Se um dia alguém está no setor de corte, no dia seguinte pode estar trabalhando com as máquinas ou até mesmo na administração do empreendimento. Isso, conforme explicou Roberta, faz do Moda Afro uma espécie de empreendimento "sem-patrão". No período de 7 a 11 de novembro, durante a participação do empreendimento da Feira da Mulher, realizada em Salvador, as produtoras puderam ter a primeira resposta do público. "Nós tivemos uma boa aceitação. Já recebemos até encomenda", conta Roberta. A idéia agora é conseguir transformar o empreendimento em uma cooperativa solidária e conseguir um espaço fixo onde possam ser comercializados os produtos confeccionados

sexta-feira

“Precisamos criar um país em que todos possam sentar nos bancos das universidades”


Assim disse o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, para 126 formandos e suas famílias, na cerimônia de colação de grau da primeira turma de administração da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares) que busca ampliar o acesso do negro ao ensino superior. Confira na íntegra o discurso do presidente para os formandos da Unipalmares.
Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de colação de grau da 1ª turma de formandos da Universidade da Cidadania Zumbi dos PalmaresSão Paulo – SP, 13 de março de 2008Só quero lembrar ao nosso companheiro, governador José Serra, que ele homenageou três meninas – uma menina de quase 60 anos que se formou – que são funcionárias do estado de São Paulo. Só quero te lembrar que agora elas vão te pedir aumento porque melhoraram e vão querer... Essa é a vantagem das pessoas estudarem. O Serra citou o nome de vocês, e vocês não esqueçam nunca. Mas eu quero cumprimentar o governador José Serra, Quero cumprimentar os ministros aqui presentes,Quero cumprimentar a minha companheira Marisa,Quero cumprimentar o governador de Roraima, que está aqui presente,Cumprimentar os deputados federais,Cumprimentar o nosso querido companheiro José Vicente, reitor da Unipalmares, Cumprimentar os paraninfos Geraldo Alckmin e Benedita da Silva,Cumprimentar o Jorge Elias Aoni, representante do Conselho Regional de Administração,Cumprimentar todos os homenageados,Cumprimentar as nossas queridas e queridos formandos, e de coração, agradecer por ter sido escolhido patrono desta gloriosa primeira turma de formandos da Unipalmares,Quero cumprimentar a presidente da UNE, Mas, sobretudo, eu quero cumprimentar os pais de vocês. Quero dizer, meu caro José Vicente, que eu trabalhei a semana inteira em um discurso para hoje à noite. Imaginava que iria falar por volta de 8h30, 9h da noite. Nem quando eu era oposição eu fazia discurso à meia-noite e meia. Eu estou percebendo que nós chegamos numa hora em que fazer um discurso lido, de 40 minutos, é acordar com o ronco de alguns companheiros e companheiras. Eu queria pedir licença aos pais e aos formandos para contar dois casos. Dois casos que, certamente, marcam a vida de milhões de meninas e meninos deste País que, ao terminar o ensino fundamental, ao terminar o 2º grau e prestar vestibular para estudar em uma universidade, se deparam com dois graves problemas.Primeiro, a competitividade para entrar em uma escola pública federal é sempre muito difícil. São muitos alunos e poucas vagas. Segundo, para entrar em uma universidade particular, são muitas vagas e pouco dinheiro para pagar os cursos neste País. Eu penso que nós vamos reverter isso porque, se Deus quiser, ao terminar o nosso mandato em 2010 – espero que o presidente que vier depois faça o dobro do que nós fizemos – nós vamos inaugurar, nada mais, nada menos do que 10 universidades federais novas e vamos inaugurar, no mínimo, 48 extensões universitárias por todo o território nacional, além de 214 escolas técnicas profissionais, que pretendemos entregar ao povo brasileiro até 2010. E Deus queira que quem vier depois de mim, não faça 214, faça 428 e o que vier depois, faça um pouco mais.Eu queria homenagear vocês na figura de duas alunas desta turma, duas jovens negras, orgulhosas de sua origem, que não aceitaram o preconceito como justificativa para o confisco dos seus direitos. Sua vitória é uma resposta a todos que tentam convencer a juventude pobre de que a esperança foi privatizada, mercantilizada, e ficou cara demais para existir em suas vidas. A primeira história é da Elaine Duarte Damião de Moura. Ela é a primeira prova de que quando a gente quer, quando a família vive em harmonia, quando o pai e a mãe desejam, as coisas acontecem. Elaine tem 23 anos, e quando conta sua história de vida ela mesma se entusiasma, ri e comemora ao mesmo tempo, com razão. Parece que foi ontem, ainda. Sua mãe, dona Marilene, dizia à filha prostrada no quarto, resolvida a desistir da faculdade: “Elaine, a gente come sopa de pedra, mas você vai para a faculdade.” Sopa de pedra, a família não chegou a experimentar, mas Elaine engoliu a angústia seca das muitas manhãs em que viu o irmão menor chorando de fome logo cedo. “Pão”, ele pedia pão, diz ela, com a voz embargada. Nem pensar. Não havia pão no café da manhã na casa do vigia desempregado, Valdemar, e de dona Marilene. Valdemar catava papelão na rua, mas nas ruas da periferia de Cotia, na grande São Paulo, onde moram, não havia papelão suficiente para o pão e a mensalidade da faculdade da filha. A mãe voltava a dizer: “A gente come sopa de pedra”. Os amigos e alguns primos de Elaine, que enveredaram por outros caminhos, garantiam que tudo aquilo era uma grande bobagem. Elaine ouvia os pessimistas, calada. Diziam eles: “Isso não vai dar em nada. Você acaba o estudo, e daí? Vai ficar na mesma, como nós”. Então, a roda começou a girar na vida de Elaine, num ritmo que ela tenta reproduzir, embaralhando palavras e sensações. No segundo ano da faculdade, o banco Itaú abriu um concurso para estagiários, uma dúzia de vagas, 176 inscritos. Elaine se inscreveu. No dia 5 de abril de 2005 veio o resultado, e ela gritava: “Passei, passei”, conta, comemorando e vivenciando o tempo tão curto e de tantas mudanças. No dia 11 de janeiro deste ano, a antiga estagiária foi contratada, com carteira assinada pelo Banco. Nesse meio tempo, casou-se. Na faculdade aprendeu algo que já sabia, mas da qual não tinha consciência. As duas coisas não se confundem, como ela mesma explica. Diz ela: “Eu sabia que era negra, claro, mas não sabia o significado de ser negro. Na faculdade convivi com pessoas que tinham uma percepção maior da história e, ainda por cima, tive aula sobre a identidade afro. Isso muda tudo, porque se transforma em consciência e auto-estima. “O orgulho se ser negra eu conquistei na faculdade”, diz ela sorridente. Elaine não tem dúvida de que este é o caminho para evitar que tantos jovens sejam capturados pelo mundo das drogas e do crime, como ainda acontece na periferia onde mora. “Exemplos práticos como o meu são recentes, diz ela, mas aos poucos vou virar uma referência e o caminho vai ficar claro. Escola, oportunidade e consciência”. Elaine fala emprestando à voz a mesma firmeza da mãe, que dizia: “a gente come sopa de pedra, mas a gente vai”. Meus parabéns, querida Elaine. Parabéns.A outra história é da nossa Andressa Amaral Santos. O pai de Andressa, senhor Nelson, é funileiro quando tem trabalho. Dona Solange, a mãe, é diarista e faz faxina no bloco da Cohab em Carapicuíba, onde a família tem cinco filhos, e onde os cinco filhos sempre moraram. Aos sete anos, Andressa já vendia frutas na vizinhança para ajudar na casa. A primeira boneca, ganhou quando já tinha mais de 15 anos de idade. Mas a história mais bonita é a dela mesmo. Andressa foi atendente em casa de pão de queijo e morou na favela do Jaguaré, morou com a tia para ficar mais perto da escola e economizar o dinheiro da passagem. Ela ri da infância atribulada em uma casa onde havia um par de tênis, único, que ia duas vezes por dia à escola. De manhã, nos pés da caçula, que voltava correndo para entregar o sapato para Andressa ir à tarde. Matriculada, por necessidade, no período da tarde. Difícil é recordar as noites frias de Carapicuíba, quando dona Solange a recebia na volta da faculdade, apenas com um copo de água na mão e lágrimas nos olhos. Era tudo o que tinha na casa. Mas no dia seguinte, senhor Nelson e a esposa reuniam os filhos à mesa vazia para reafirmar a decisão da noite anterior. Diziam os pais: “você continua Andressa. A gente passa fome, mas no dinheiro da condução e o da mensalidade ninguém mexe”. Andressa tem orgulho de lembrar dos pais, senhor Nelson e dona Solange, lutando sozinhos para criar a família em um pequeno apartamento na periferia de São Paulo. Só Deus sabe a dor que passaram na travessia de tantas noites de incerteza. Mas, de manhã, eles nunca fraquejavam porque, no fundo, tinham uma esperança de que a solução para a família e para o Brasil é a escola.A formatura de hoje é o fecho de ouro que dá razão à persistência do senhor Nelson e da dona Solange, porque Andressa é uma vitoriosa. A filha, agora, é funcionária contratada do Bradesco. Tornou-se uma mulher altiva e independente, que nunca aceitou ser chamada de moreninha nos ambientes de trabalho. “Moreninha, não”, diz ela. “Sou negra, com orgulho”, avisa aos distraídos. Foi assim que ganhou o apelido carinhoso de “pérola negra”. No Natal de 2007, Andressa resolveu dar um presente a si mesma e a toda a família. Não o primeiro, mas um para redimir a ausência de tantos outros no passado. Ela comprou um carro zero, mas logo foi avisando, com a chave na mão: “o próximo passo é fazer pós-graduação no exterior”.Eu estou falando isso, Andressa, e é bom que o ministro da Educação me escute, que os companheiros da Capes escutem, porque a chance de fazer um curso no exterior não é tão difícil quando a pessoa tem a vontade que você tem. Senhor Nelson e dona Solange agora são outras pessoas. Mantêm a fé e estão cheios de confiança. Na verdade, passaram a sonhar tanto quanto a filha e até voltaram a estudar, animados com o acerto de sua própria receita para o futuro dos filhos e do Brasil. Meus amigos e minhas amigas,Eu fiz questão de ler essas duas cartas citando duas meninas, a Elaine e a Andressa, sabendo que possivelmente seja a vida de outras meninas e de outros meninos. Eu espero que a imprensa que cobriu este evento consiga retratar nos jornais e nos documentários a beleza e a cara destes jovens, destas meninas e destes meninos, que receberam o seu canudo. Muitas vezes, o povo não consegue nem conquistar a auto-estima, porque algumas pessoas não querem deixar. Quando mostram o negro na televisão, normalmente, é sendo preso pela polícia. Agora, eu espero que mostrem a cara destes jovens se formando, que contem a história dos pais para formar estas crianças, que a gente vai poder passar a idéia para a sociedade de que o mundo não é apenas o mundo da criminalidade, que aparece na televisão. Existem outras coisas importantes que o negro faz, que o pobre faz neste País e que muitas vezes não têm o espaço necessário. Se mostrarem o sucesso de vocês, nós vamos mexer com a auto-estima de outras crianças, na idade de vocês, que não tiveram possivelmente o carinho que vocês tiveram dentro de casa. O que aconteceu com vocês só pode acontecer se a família estiver unida, se tiver uma mãe ou um pai que mantenha a rédeas da casa. Se a família estiver desagregada é humanamente impossível, é quase um ato de heroísmo um jovem vencer na vida se a família não estiver unida, porque todos nós, bem ou mal, somos a cara do que os nossos pais são, não apenas no físico, mas no comportamento. É por isso que eu digo sempre, governador José Serra, que no Brasil, durante muito tempo nós discutimos os problemas econômicos e a gente não pensava e não imaginava que a desagregação da estrutura da família era tão grave quanto a questão econômica neste País. Eu digo isso porque fui criado, com oito irmãos, por uma mãe analfabeta. E todos conseguiram se transformar em cidadãos porque tinham na mãe o espelho, porque tinham na mãe o respeito. Eu penso que o que vocês estão fazendo aqui, na Unipalmares, é um exemplo extraordinário. Nós não queremos dividir universidade de negro e universidade de branco, nós não queremos cota, 30 para um, 40 para outro. O que nós precisamos é construir um País em que todos, sem distinção de cor e sem distinção de origem social, tenham a mesma oportunidade de sentar nos bancos das universidades deste País. Quando isso acontecer, não haverá disputa de cotas. Eu era chamado de radical, meu caro Paulo Renato, na década de 80, porque eu dizia que o Brasil seria o Brasil dos nossos sonhos no dia em que a empregada da faxineira estivesse sentada, no mesmo banco da escola, ao lado do filho da sua patroa. Aí, sim, nós estaremos criando uma nação justa, uma nação solidária, em que as pessoas não sejam discriminadas nem pelo berço e nem tampouco pelo sobrenome, e muitos menos pela cor ou pelo credo religioso. O que vocês estão fazendo aqui na Unipalmares é um exemplo extraordinário, meu caro ministro Fernando Haddad, da Educação, meu caro governador José Serra, meu caro prefeito Kassab, que nós precisamos refletir: onde é que a gente entra, sem atrapalhar o que eles já fizeram, para ajudá-los a fazer muito mais. Só o fato de saber que uma grande parte de vocês está trabalhando nos bancos, a gente tem que acreditar que o Brasil começa a mudar, porque a gente não via um negro num banco há muito tempo, a não ser que fosse para depositar dinheiro para o seu patrão. A gente não via um negro dentista, a gente não via um negro médico, poucos negros advogados. Eu me lembro do esforço que eu fiz para encontrar um negro para levar para a Suprema Corte deste País.Essa é uma coisa que vai ter que mudar, e vocês viram aqui, pelo pronunciamento do Governador, do Prefeito, dos ministros. Eu acho que vocês, no fundo, no fundo, com esta formatura, estão nos dando uma lição de vida e muito mais do que isso, estão dando uma lição de vida aos outros que ainda não chegaram ao nível que vocês chegaram, de que não vale a pena desistir nunca e vale a pena acreditar.Aos pais da Elaine e da Andressa que, certamente, são os pais dos outros, eu queria dizer para vocês que nós temos milhões de pais e mães como vocês, que colocaram os filhos no mundo e que darão a vida para que os filhos de vocês tenham o que vocês não tiveram. Eles alcançaram, eles têm o diploma, têm uma profissão, têm um emprego. Agora, não percam a bondade da alma, ajudem os irmãos de vocês a conseguir o que vocês conquistaram, e ajudem os pais de vocês a sentirem cada dia mais a alegria de ter vencido na vida. Não existe espaço para desistir, na vida. Eu digo sempre o seguinte: se desistir valesse a pena, eu não seria presidente da República. Eu perdi três eleições consecutivas, teimei e cheguei à Presidência da República. Portanto, neste País, se a gente persistir, a gente vence. Eu queria terminar dizendo a todos vocês, formandos, que valeu a pena viver até o dia de hoje para assistir este acontecimento. Eu acho que não tem, na história da América Latina, com exceção de Cuba, não tem no Brasil um momento histórico em que a gente tenha tantas pérolas negras e tantos diamantes negros formados numa mesma noite.Que Deus os abençoe por toda vida, e que Deus abençoe os seus pais.

quarta-feira

Biografia: Mestre Tonho Matéria

Nome Completo: Antonio Carlos Gomes Conceição
Data de Nascimento: 12 / 05 / 1964
Grupo: Associação Cultural de Capoeira Mangangá
Cidade: Salvador - Ba

Biografia:

O Primeiro artista a colocar a capoeira nos shows musicais foi o Cantor, Compositor, Publicitário, Produtor Cultural e Mestre de Capoeira Antonio Carlos Gomes Conceição, conhecido como Tonho Matéria, nasceu no dia 12 de maio de 1964 na cidade de São Salvador – Bahia. Filho de Agripino Gomes da Conceição e Eufrosina Maria dos Santos e pai de Allan e Raysson. Começou a trabalhar com 8 anos de idade com sua mãe vendendo acarajé. Em 1976 com 12 anos resolveu que queria ser capoeirista porque nas festas de largo em Salvador via muitas rodas de capoeira principalmente a do Mestre Caiçara que anos depois foi freqüentador constante.
A primeira vez que vadiou à capoeira foi através de dois amigos Vando e Tico (irmãos) que o convidou para uma roda na porta da casa deles ao som do LP do mestre Suassuna, foi ai então que ouviu pela primeira vez Músicas de capoeira gravadas, achou incrível a ponto de se entregar de corpo e alma a arte da capoeiragem.
Viu que sentia necessidade de aprender a arte com auxilio de um Mestre, então procurou o Mestre King Kong para treinar, e daí por diante não parou mais. King Kong viajou para a Alemanha e ele não ficou parado, procurou a academia do Mestre Geni Capoeira do Grupo Zambiacongo e foi treinar com o Mestre Roberto ( Macaco ) hoje ele mora na Austrália. Treinou com macaco uns seis meses, com ele aprendeu a seqüência de Bimba e o esquenta banho foi um período bom para o desenvolvimento do menino que sonhava tanto em ser capoeirista.
Roberto (King Kong) retornara a Salvador daí então foram 23 anos treinando juntos. Tonho Matéria tinha um apelido na época, conhecido como Pele de Onça por causa de uma causa que ele usava toda vez que ia pras festas de largo jogar, Tonho também participou de vários shows folclóricos com o grupo Ogum Katendê, foi campeão baiano em dupla com seu mestre em 1985, foi o primeiro artista a jogar capoeira nos seus Shows musicais, quando ainda estava cantando com o Ara Ketu na Guiana Francesa.
Tonho viveu a sua infância e adolescência estudando, trabalhando e jogando capoeira. Formado em contabilidade, Tonho é hoje uns dos mais respeitado compositor, cantor e capoeirista do Brasil.
Começou sua carreira artística cantando em blocos afro como: Ébano, Amantes do Reggae, Olodum, Ara Ketu, Afreketê e grupos como: Oba Oba, Ganzá, Coruja Junina, Amigos dos Fias e Obatalá.
Com mais de 300 músicas gravadas por grandes intérpretes da música popular baiana brasileira como: Leci Brandão, Daniela Mercuri, Ara Ketu, Olodum, É o Tchan, Beth Carvalho, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Terra Samba e muitos outros. Tonho gravou seu primeiro disco solo em 1989 logo que saiu do Olodum. Virou sucesso em todo país com seu segundo disco Ta na Cara com a musica Melo do Tchaco. Ai não parou mais de produzir, fez ao todo 7 cd´s, formou o grupo de pagode Coisa de Bamba, fez um disco de capoeira A Força de Zumbi (Grupo Bahia Capoeira) do seu Mestre, com suas músicas que são cantadas nas rodas desde que começou a jogar, ganhou vários prêmios importantes com suas músicas a exemplo de: Premio Imprensa 1989 melhor música e melhor compositor do ano, Premio Troféu Caimmy 1988 / 89 compositor mais gravado do ano, Premio Sharp 1991 melhor música do ano categoria samba concorrendo com Paulinho da Viola e Martinho da Vila, Premio Troféu Bahia Folia 1990 (Desejo Egotismo) Música mais cantada nos carnavais, Premio Troféu Exclusiva melhor destaque do ano 1990, Premio Troféu Bahia Folia 1994 melhor destaque do ano, Premio qualidade do Brasil 1998 / 99 / 2000, Premio Troféu Jorge Amado 2002 melhor puxador de trio. Foi capa de varias revistas musicais e de capoeira, participou do Festival de Montreux na Suíça e além de ser o cantor principal do Olodum.
No dia 17 de novembro de 2006 foi homenageado na Câmara Municipal de Salvador com a Medalha Zumbi dos Palmares pelo Vereador Laudelino Conceição - Lau.
Tonho desenvolve um trabalho social com a capoeira no Bairro aonde nasceu e foi criado, pra mais de 400 crianças, adolescentes e adultos com a sua Associação Cultural de Capoeira Mangangá que já tem filiais em Salvador nos bairros: Iapi, Sete de Abril, Águas Claras, Castelo Branco, Stiep, Nova Brasília e Caixa d’água e nos Municípios: São Roque do Paraguaçu, Lauro de Freitas e Simões Filho e pensa em construir a casa da capoeira no bairro do Pau Miúdo.
Também é diretor da LIBAC Liga Baiana de Capoeira, membro do Conselho Fiscal do Forte da Capoeira, diretor do Fórum de capoeira na cidade de Lauro de Freitas Junto com os Mestres Reginaldo ( Associação de Capoeira Toques de Berimbaus ) e Boca (Associação de Capoeira Alegria do Mestre Canjiquinha ) e fundador - Presidente da Associação Cultural de Capoeira Mangangá. Além de escrever artigos para a revista Praticando Capoeira, pro jornal O Capoeira e sites eletrônicos de capoeira.

Histórico do Mestre Tonho Matéria
Campeão Baiano de Capoeira em dupla em 1985 no Ginásio Antonio Balbino pelo Instituto Baiano de Medicina Desportiva.
Dançou em diversos grupos folclórico no Hotel Mediterranee, nas casas de show Moenda e Tenda dos Milagres na Escola Parque da Bahia, no Hotel da Bahia e nos países: França, Bélgica, Suíça e Goiana Francesa.
Fez um CD de Capoeira A Força de Zumbi, quando participava do Grupo Bahia Capoeira
Foi matéria da Revista Ginga Capoeira ano 3 edição 23
Foi matéria da Revista Liberdade Capoeira ano 1 edição 3
Foi matéria na revista Praticando Capoeira ano II edição 26 e teve a letra da musica sou mangangá publicada nessa edição.
Foi matéria na revista Ginga Capoeira numero 1
Foi capa da Revista Praticando Capoeira Ano I Nº 07 e teve a Capa do CD e a letra da música Vamos Capoeirá publicados na edição Ano I Nº 13
Participou do Grupo Vamos Capoeirá em 1987 com Contra- Mestre Edmilson, Contra Mestre Vando, Mestre King Kong (Bahia Capoeira), Mestre Benivaldo (Barro Vermelho), Mestre Dendê (Mus-Capoeira), Mestre Reinaldo (Terra Samba e Porto Da Barra), Mestre Raimundo (Kilombolas), Mestre Bira e Mestre Dedé (Kilombolas)
Participou de um vídeo sobre Mestre João Pequeno a convite do Mestre Barba Branca.
Tem diversas músicas sendo cantadas nas rodas de capoeira do Brasil inteiro. Exemplo: Vamos Capoeirá, Essa Arte, Baila o Corpo Etc.
Fez um clip no Pelourinho Cantando “Desejo Egotismo” com a participação Especial de Paulinho Camafeu, Mestre Bamba com a Associação de Capoeira Mestre Bimba e Mestre Vermelho.
Gravou um CD intitulado Kilombolas Mangangá com o grupo Kilombolas do mestre Dedé
Gravou um CD Sou Mangangá
Foi homenageado pela Câmara dos Vereadores com a Medalha Zumbi dos Palmares
Criou o Bloco Afro Mangangá
Idealizador do tema CAPOEIRA para o carnaval baiano de 2008 funtamente com Badá, Clarindo Silva e Mestre Boa Gente.

Contato: tonhomateria@yahoo.com.br

quinta-feira

Bahia resgata cultura afro com turismo étnico




Com o objetivo de resgatar a cultura afro, a Bahia começa a divulgar o roteiro de turismo étnico, uma iniciativa da Secretaria do Turismo do Estado (Setur). “De cada dez baianos, oito são afro-descendentes e temos que valorizar aquilo que temos para oferecer”, afirma Domingos Leonelli, secretário de Turismo do estado. O turismo étnico pretende conquistar não apenas brasileiros vindos de outras regiões do país, como também os norte-americanos. “Há condições favoráveis para estimular a vinda de negros dos Estados Unidos para conhecer a Bahia. Muitos querem buscar sua identidade”, diz Leonelli. Salvador reúne vários pontos que merecem visitação. A Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, realizada na cidade de Cachoeira, também integra o roteiro. De acordo com o secretário, a intenção do novo programa é fazer com que os turistas passem mais tempo na Bahia e, conseqüentemente, gastem mais, favorecendo a economia local.
Conheça um pouco mais sobre as cidades que fazem parte desse roteiro:
Salvador
Rita Barreto/Divulgação
Salvador reúne pontos turísticos construídos por escravos (Foto: Rita Barreto/Divulgação)
Como chegar: A BR-101 e a BR-116 ligam a Bahia ao restante do país. Essas rodovias passam por Feira de Santana, que fica a 107 km de Salvador, via BR-324. Onde ficar: albergues (R$ 30, diária individual para quartos coletivos, com café da manhã), pousadas (R$ 80, diária para casal, com café da manhã), hotéis (R$ 270, diária para casal, com café da manhã). O que merece visita: Parque Dique do Tororó: Feito pelos escravos no período da invasão dos holandeses. É uma lagoa artificial que ganhou área de lazer, anfiteatro ao ar livre, decks para pesca. Elevador Lacerda, Igreja Nosso Senhor do Bonfim, Catedral Basílica, Forte do Monte Serrat. Passeios: Ida à ilha da Maré, ponto rústico onde os habitantes vivem da pesca e do artesanato. O meio de locomoção permitido na ilha é o jegue. Automóveis são proibidos. Informações: Secretaria de Cultura e Turismo, telefone (71) 3340-5832.

Cachoeira
Rita Barreto/Divulgação
Festa de Nossa Senhora de Boa Morte atrai turistas a Cachoeira (Foto: Rita Barreto /Divulgação)
Como chegar: De Salvador, pela BR-324, por 59 km, até o entroncamento da BA-026, percorrendo-se mais 11 km até Santo Amaro. A partir desta cidade, siga para Cachoeira pela mesma BA-026, por mais 38 km. Onde ficar: pousadas (R$ 110, diária para casal, com café da manhã). O que merece visita: Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte. A Festa de Nossa Senhora da Boa Morte acontece na primeira quinzena do mês de agosto e costuma reunir turistas na região. Passeios: Lago da Pedra do Cavalo e Bacia e Lago de Vila Santiago do Iguape. Informações: Secretaria de Cultura e Turismo - Rua Ana Nery, nº 27 – Centro. Horário de funcionamento: 8h às 12h - 14h às 17h. E-mail: turismo@cachoeira.ba.gov.br, cultura@cachoeira.ba.gov.br

Maragogipe
Rita Barreto/Divulgação
Peças de artesanato trazem valores da cultura afro (Foto: Rita Barreto/Divulgação)
Como chegar: Saindo de Salvador, pela BR-324, por 59 km, até o entroncamento da BA-026, percorre-se mais 11 km, até Santo Amaro. A partir desse ponto, siga para a Cidade de Cachoeira pela mesma BA-026, por mais 38 km. De Cachoeira, atravesse a ponte D. Pedro II para São Félix e siga por 23 km em direção sul, até Maragogipe. Onde ficar: pousadas (R$ 40, diária para casal, com café da manhã). O que merece visita: Centro histórico, que resgata a arquitetura colonial. Passeios: Praia do Pina, Cachoeira do Urubu e Lagamar. Dicas: Para conhecer o centro histórico da cidade é importante vestir roupas confortáveis para agüentar as caminhadas. Em Lagamar, é interessante alugar um barco para visitar a região. Uma parada na Gruta do Sol para um banho de cachoeira está entre as opções preferidas dos turistas. Informações: Secretaria de Turismo de Maragogipe, telefone (75) 3526-1032.

Santo Amaro
Rita Barreto/Divulgação
Baianas simbolizam resgate da cultura afro (Foto: Rita Barreto/Divulgação)
Como chegar: Saindo de Salvador, pela BR-324, por 59 km, até o entroncamento da BA-026. Daí até Santo Amaro percorre-se mais 11 km. Onde ficar: hotéis (R$ 35, diária para casal, com café da manhã), resorts (R$ 280, diária para casal, com café da manhã e jantar).O que merece visita: Igreja Nossa Senhora da Purificação. No mês de fevereiro, acontece a tradicional lavagem da escadaria, organizada por Dona Canô com a participação de mais de 400 baianas. Também é válido passar em frente à casa onde Caetano Veloso e Maria Bethânia moravam quando crianças. Dica: Aproveite para comprar o autêntico azeite de dendê produzido na região.
Informações: Secretaria de Turismo de Santo Amaro, telefone: (75) 3241-8451.

domingo

Apenas 3,8% dos negros conseguem ser empreendedores

Muitas estatísticas já comprovaram que as pessoas negras ou pardas estão em menor quantidade no mercado de trabalho se comparadas às pessoas de cor branca. Mas um estudo pioneiro, realizado pelo sociólogo Jorge Monteiro, resolveu centrar-se na questão do empreendedorismo e chegou à conclusão de que, em meio a essa população conceituada como negra ou parda, apenas 3,8% conseguem atuar como empresários, administradores, profissionais de nível superior.
Esta abordagem foi o tema do livro "O Empresário Negro", lançado em Brasília, numa iniciativa da Associação Nacional dos Coletivos de Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra).
Antes de tudo, o sociólogo afirma: o objetivo deste trabalho é, justamente, chamar a atenção para a parcela do empresariado negro do Brasil que quer crescer e para os que ainda não são empresários, mas gostariam de ser. "O livro busca encorajar essas pessoas a organizarem suas empresas, irem em busca de apoio e, principalmente, gerar oportunidade de negócios, não só entre negros, mas no mercado em geral", disse Monteiro.
Os dados estatísticos da pesquisa foram resultantes de um mapeamento feito a partir dos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD). Os dados mais recentes apontam que mais de 60% da população brasileira são afrodescendentes, colocadas na categoria de "parda" ou "negra".
"Observei os dados estatísticos e, ao mesmo tempo, fui comparando com o grau de empreendorismo existente. Apesar de algumas dificuldades em conseguir créditos, ter oportunidades, muitas pessoas conseguem empreender, montar seu negócios, progredir. Só que o número de empreendedores negros é muito pequeno se comparado ao empreendedor branco", explica.
Diante das dificuldades encontradas pelo empresariado negro, um dos pontos essenciais do livro é motivar a criação de um projeto nacional de desenvolvimento da empresa afro-brasileira, além de criar associações de empresários negros, que possam passar à frente suas experiências.
O sociólogo afirma que esta já é uma das principais lutas do movimento negro no Brasil, e que é necessário o apoio das autoridades municipais, estaduais e também da esfera federal.
"A nossa perspectiva não é de gueto, não é sectária. Queremos comercializar com a sociedade em geral", afirmou. Monteiro é sociólogo, com Mestrado em Relações Raciais e profissional da área de recursos humanos.

sexta-feira

Movimento negro reivindica mais emprego para jovens


Por Adenilton Cerqueira

Não bastam só políticas de ações afirmativas, a juventude negra também exige respeito à diversidade. Além do acesso à universidade, nós queremos a garantia de que teremos espaço assegurado no mercado de trabalho. As reivindicações são muitas e todas elas norteadas pelo fio condutor de que é preciso repensar o Brasil a partir da ótica do povo negro. Quando se fala em perspectivas para a juventude negra, o jovens consideram que não há perspectivas, mas sim a expectativa de que as políticas afirmativas gerem muitos frutos. O assunto foi discutido no Fórum de Diálogos África e Diáspora, que integra a programação da II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (Ciad). Para debater o tema Perspectivas para a juventude negra na África e diáspora, a mesa foi formada essencialmente por jovens militantes.


Realizado paralelamente nos auditórios da reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), o Fórum de Diálogos África e Diáspora abrindo espaço para nove mesas-redondas. "Perspectivas não temos muitas, o que temos é um conjunto de expectativas que emergem do programa de ações afirmativas e da possibilidade de aprovação do estatuto da igualdade racial", avalia o estudante de ciências sociais e integrante do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e do Coletivo de Negros, Matheus Gato de Jesus. Para ele, as conquistas atuais representam um grande avanço na história, mas já é possível perceber que há limites estruturais dentro dessa porta que se abre. Para contextualziar, ele cita como exemplo a própria Ciad.


"Embora seja um evento para negros, se você olhar para as pessoas que estão trabalhando no apoio, verá que o negro é minoria. Entre dez atendentes brancas, tem duas negras. Isso vai contra todas as discussões da conferência e significa que quem pensou o evento não fomos nós", critica o estudante maranhense. Vindo de uma outra realidade, onde os negros são minoria não só na voz como na própria presença física, a coordenadora da Central Única das Favelas (CUF) no Rio Grande do Sul, Malu Viana, 32 anos, sabe exatamente a dimensão da exclusão social e racial.
De acordo com ela, falar em perspectivas para a juventude negra é um desafio em um país como o Brasil, onde existe uma falsa democracia. "O nosso desafio é trabalhar a consciência política dos jovens, partindo do ponto de que este é um aspecto inexistente. Para isso, temos que nos erguer diante de uma situação desfavorável porque as políticas não chegam as nossas comunidades e quando chegam são através de ações assistencialistas ou eleitoreiras", explica.


Ela diz ainda que, para o negros do Rio Grande do Sul, a situação é ainda mais complicada porque têm que se reerguer em meio a um massacre ideológico onde as culturas alemã e italiana são externadas o tempo todo. "Lá existem incentivos para as culturas italiana e alemã e a negra e a indígena são ignoradas. É isso que precisamos mudar", disse Malu Viana.


São jovens que estão em diferentes pontos do país, mas todos eles compartilham uma realidade onde a exclusão social e racial são expressivos demarcadores territoriais. De Salvador, o diretor executivo do Instituto Steve Biko, que é doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas, Sílvio Humberto Cunha, 43 anos, também conhece esta realidade. "Vivemos em uma sociedade em que a branquitude é um valor, é a partir da cor da pele que se atribui valor às pessoas", diz.


Convidada à mesa, a cantora Angélique Kidjo, do Benin, chamou a atenção da juventude para a necessidade de percepção de que antes de ser negro, branco ou amarelo, todos são seres humanos. "O negro sofreu muitas dores, foram tratados piores do que um animal. Está na hora de largar esta dor e olhar para o futuro, para os nossos atos e nossas palavras. Nós devemos continuar a luta por um lugar para todos os seres humanos. Eu, perante o mundo, me posiciono como ser humano, porque o ser humano é acima de tudo o que tem dentro de si", disse a cantora.


Reserva de vaga é coisa antiga
"Reserva de vagas não é novidade. Na década de 60, filhos de agricultores foram às universidades cursar agronomia e ninguém foi contra estas cotas". Serena e munida de informações valiosas, a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, conselheira até abril da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) foi uma das convidadas da mesa que tratou de políticas de ações afirmativas e os reflexos nas áreas de educação e cultura, ontem à tarde na Uneb, dentro da programação do Fórum de Diálogos África e Diáspora. Assunto que já extrapolou embates acadêmicos e políticos, o tema se alastra em discussões por todos os cantos do país.


A estudiosa, que leciona na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo, defende que a política de reservas de vagas deve ser destinada para estudantes oriundos de escolas públicas. "A partir daí, seria feito um recorte: com percentagem para negros e indígenas, sem desconsiderar os brancos. Ninguém estará imune às seleções. Se queremos uma sociedade democrática, todas as populações devem estar representadas", afirmou. Toda a população estará acompanhando a discussão na educação brasileira sobre este assunto, já é considerado um avanço para os defensores da política.


A intenção é que o sistema de cotas seja visto como uma meta dentro do programa de ações afirmativas, integrando um plano maior de inclusão social. "Não é questão mais de privilégios, mas da construção de uma sociedade igual, justa e equânime. As universidades atualmente só contemplam uma classe social: da média para cima", explicou Petronilha, destacando que ação afirmativa não é invenção brasileira, nem do movimento negro.


A Índia foi apontada pela pesquisadora como o primeiro país a adotar programa de ações afirmativas para a casta considerada inferior pelo sistema social indiano. "Há ainda experiências de reservas de vagas na Malásia, Inglaterra, EUA, África do Sul. Países da América Latina, como Chile e Colômbia, estão desenvolvendo programa com regime de ações afirmativas. Nossa iniciativa está também sendo observada por outras nações", declarou.


Relatora do parecer do CNE à lei 10.639/2003, que estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação das relação étnico-racial e para o ensino de história da cultura afro-brasileira e africana nas escolas do país, Petronilha acredita que as ações afirmativas estão mexendo com as crenças de uma sociedade excludente. "Nosso projeto é de uma sociedade onde todos venham a ter direitos civis, econômicos e sociais. Toda a população e cada um como é", disse.

terça-feira

Projeto beneficia comunidades do Litoral Norte


por Adenilton Cerqueira

A Fundação do Banco do Brasil pretende contratar consultores na área em torno do Litoral Norte da Bahia, através do projeto Berimbau, visando promover desenvolvimento regional sustentável, reduzir desigualdades e criar melhores condições de vida para a população do Litoral Norte da Bahia.
O Programa irá gerar trabalho e renda, através do fortalecimento do associativismo comunitário, do resgate da cultura local, educação e respeito ao meio ambiente.O projeto atuará nas áreas de Vila Sauípe, Diogo, Santo Antônio, Vila Sauípe e Porto de Sauípe, nos municípios de Mata de São João e Entre Rios, média de 76 km de distância de Salvador. De acordo com a Secretária da Rede de Tecnologias Limpas e Minimização de Resíduos-TECLIM, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Suzete Mendes, o projeto já gerou emprego e renda na Costa de Sauípe, no desenvolvimento do artesanato, da agricultura familiar, da reciclagem de resíduos, da pesca artesanal e do turismo comunitário.Os interessados deverão enviar currículo e carta de apresentação até o dia 7 de dezembro, no endereço Sauípe S/A - Programa Berimbau -- A/C Francis Ribeiro.

domingo

Economia Solidária resgata arte afro-descendente (ASN)




Por Adenilton Cerqueira


Ação do Sebrae/BA e do Banco do Brasil também contempla, em projeto-piloto, cultura de terreiros e quilombos baianos.
Uma iniciativa que alia inclusão social à valorização da arte e da cultura da Bahia. O Projeto de Empreendedores da Economia Solidária, desenvolvido pelo Sebrae na Bahia desde 2006 em parceria com o Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil, promove o trabalho de 14 cooperativas e associações localizadas principalmente no Bairro da Paz, em Salvador. O Sebrae/BA também começou um projeto com 200 terreiros e quilombos para geração de emprego e renda para estas comunidades.
“Nossa meta é promover o desenvolvimento no sentido mais amplo, para melhorar o quadro social em que essas pessoas vivem e formar uma grande rede sustentável de economia solidária com qualidade na produção para chegar ao mercado”, explica Dimara Dantas, gestora local do projeto. O ‘Empreendedores da Economia Solidária’ faz parte da Carteira de Comércio do Sebrae/BA.
O projeto trabalha com associações de diversos ramos. A Cooperativa Semente da Paz produz peças de artesanato a partir de material reciclado como papel jornal. A Cultura Artes e Percussão (CAP) cria instrumentos musicais de percussão como berimbau, pau-de-chuva e surdo. A Cooperativa NOVODENOVO constrói móveis como poltronas e pufs com garrafas PET. A Cooperativa Raízes do Povo de Israel (COOPRPI) é formada por mulheres que costuram e bordam bolsas.
O programa leva capacitação em gestão empresarial às associações e cooperativas participantes. Também promove os produtos criados por estes artesãos e artistas em desfiles de moda e feiras. As cooperativas de economia solidária apoiadas pelo Sebrae puderam mostrar um pouco de seu trabalho na Feira do Empreendedor de Salvador.
Quando alguém compra um dos produtos apoiados pelo projeto recebe um cartão que traz uma sinopse sobre a cooperativa que criou aquele artigo junto com os contatos como telefone, endereço e e-mail. “Os produtos que trabalhamos não são comerciais. Eles agregam um valor social e trazem junto uma história de vida cheia de luta”, afirma Dimara Dantas.
Indumentárias
O Sebrae/BA incluiu no Projeto Empreendedores da Economia Solidária 200 terreiros e quilombos baianos. A ação acontece em caráter piloto. Dimara Dantas informa que a intenção do Sebrae é atingir futuramente um universo de 1,2 mil quilombos e terreiros. A iniciativa estabelece parceria com a Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu).
O Sebrae/BA decidiu iniciar o projeto depois de ser procurado pelos representantes dos quilombos e terreiros. “Muitas dessas pessoas, como os pais de santo, estão passando necessidade”, revela a gestora.
As comunidades que vivem nos terreiros mantêm uma rica produção cultural e religiosa de peças artesanais, como bonecos que simbolizam os orixás, e indumentárias para os rituais de candomblé, como roupas, coroas, braceletes e colares. Mesmo assim não sobrevivem de seu ofício. “Por não terem um perfil empreendedor, os artesãos não conseguem se auto-sustentar. O Sebrae quer passar para eles noções importantes da gestão de um negócio, como a formação de preços”, explica Dimara Dantas.
Ex-membro da Timbalada, Luís Augusto comanda a entidade Cultura, Artes e Percussão (CAP). Junto com oito jovens trabalha com 50 meninos do Bairro da Paz. Eles fabricam seus instrumentos para geração de renda e uso próprio em apresentações. Luís agradece o apoio que tem recebido com o Projeto Empreendedores da Economia Solidária. “O Sebrae está nos mostrando como entrar no mundo dos negócios por meio da arte e da cultura”, diz.
A costureira Áurea Barreto, do Centro de Caboclo Sultão dos Matos, também elogia o apoio do Sebrae. “Estamos tendo a oportunidade de mostrar os nossos produtos”, afirma. “Nos eventos em que o Sebrae nos leva, nos aproximamos do público”, conta Leonice Jesus da Silva, que costura e borda com palha da costa, material que vem da África.
“Ganhei um apoio importante para caminhar com meus próprios passos”, comenta Jadson Dias, artesão que, a partir de materiais como cobre, lata e latão, cria braceletes e outros artefatos para rituais de candomblé.


Serviço:

Sebrae/BA - (71) 3320-4300

Moda Afro Cidadã/Associação do Lobato – (71) 3218-6967

Colibris Calçados – Artefatos de Couro – (71) 8124-8672

Cooperativa de Catadores e Reciclagem de Resíduos Sólidos e Agentes Ambientalistas do Bairro da Paz (Cooperpaz) – (71) 9931-6842

Cooperativa Raízes do Povo de Israel (COOPRPI) – (71) 3392-3774

Cooperativa de Produtos e Serviços para a Construção Civil (CPS) – (71) 3368-0476

Cooperativa NOVODENOVO – (71) 3621-1692 / 9902-6395

Cultura, Artes e Percussão (CAP) – (71) 8853-3661 e (71) 3368-2609

Cooperativa Semente da Paz – Artesanato em Papel Jornal e Outros Materiais Reciclados – (71) 4151-5138 / 9103-7058

terça-feira

Agenda Social Quilombola


A Agenda Social Quilombola se baseia em metas e recursos empenhados pelo Governo Federal para viabilizar o acesso à terra, saúde, educação, construção de moradias, eletrificação, recuperação ambiental, incentivo ao desenvolvimento local, assistência social das famílias quilombolas e pleno atendimento aos programas sociais, como o Bolsa Família.
A meta é atingir 1.739 comunidades - localizadas em 22 estados, 330 municípios e 128 territórios rurais até 2010. Serão beneficiados cerca de 50% do universo de 1.700.000 quilombolas. Grande parte dessa população está concentrada na Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul, estados que possuem mais de 100 comunidades.
Ao atender as necessidades das comunidades quilombolas, o Governo Federal estará melhorando as condições de vida de milhões de brasileiros residentes em municípios onde esses grupos estão localizados.
Mais saúde, educação, trabalho e renda, saneamento e moradia propiciam qualidade de vida para toda a população. E todos fazem parte dessa mudança: União, Estados, Distrito Federal, Municípios, iniciativa privada e sociedade, desde a implementação até a avaliação dos indicadores do Programa.
ACESSO À TERRA Das 1.170 certidões de auto-reconhecimento expedidas, o Governo Federal pretende concluir 713 relatórios até 2010. Os documentos são determinantes para o processo de regularização fundiária, pois atestam o reconhecimento da presença dos quilombos em determinado território e a demarcação das terras por meio de estudos científicos com laudos antropológicos e históricos.
Para a etapa subseqüente, indenização aos ocupantes das terras demarcadas e tituladas, o Governo Federal destinou recursos para uma área total de 2.580.000 hectares, a fim de possibilitar a regularização fundiária de 60% das comunidades quilombolas demandantes.
PROMOÇÃO DA SAÚDE Cobrir a totalidade dos 47 municípios destacados na Agenda Social Quilombola é a meta na área da saúde. Através de convênios com as prefeituras, o Governo Federal vai possibilitar o atendimento da população pelos programas de Saúde da Família e de Saúde Bucal. Equipes de profissionais de saúde farão atendimentos diretamente nas comunidades, o que confere respeito aos saberes e hábitos tradicionais.
Na área de saneamento básico, 548 comunidades serão contempladas com obras e instalações para abastecimento de água potável encanada e melhorias sanitárias domiciliares.
PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO O aporte no ensino e na aprendizagem de crianças, jovens e adultos quilombolas corresponde à meta de educação. Serão distribuídos 280 mil exemplares de material didático com conteúdos relacionados à história e à cultura africana e afro-brasileira, como determina a Lei 10.639/03. Ainda como estratégia de implementação deste instrumento legal, haverá a capacitação de 5.400 professores da rede pública de ensino fundamental.
A melhoria das instalações escolares é outra meta da Agenda Social Quilombola para a educação. Serão construídas cerca de 950 salas de aula para suprir a demanda dos estudantes quilombolas. Já a universalização do acesso à alfabetização vai proporcionar a inserção de jovens e adultos quilombolas ao mundo do conhecimento e da informação.
MORADIA Unidades habitacionais seguras e com as instalações adequadas, como encanamentos e fiação elétrica, mudarão para melhor a vida de milhares de famílias quilombolas.
Levar energia elétrica para toda a área rural, sobretudo as comunidades remanescentes de quilombos, tem sido o objetivo do Programa Luz para Todos. A previsão é zerar o déficit existente até 2008, expandindo para todos os brasileiros o serviço de energia elétrica.
MEIO AMBIENTE A relação harmônica com a natureza é inata à história das comunidades quilombolas, pois os recursos naturais garantem, por séculos, a sobrevivência alimentar dessas populações. Na Agenda Social Quilombola haverá investimento para a recuperação ambiental das comunidades, cujos bens naturais foram reduzidos por ações externas.
O aproveitamento da água para o consumo e a produção local será possibilitado pela construção de cisternas em localidades com dificuldades de abastecimento de água e escassez de chuvas.
DESENVOLVIMENTO LOCAL Criar e fazer bom uso das oportunidades existentes nas comunidades são objetivos das ações de fomento ao desenvolvimento local e à inclusão produtiva a serem identificadas e potencializadas por cursos e oficinas de desenvolvimento econômico e social e geração de renda. Serão atendidas mais de 2.800 comunidades quilombolas com iniciativas de incentivo ao desenvolvimento sustentável.
CIDADANIA A participação ativa dos representantes dos quilombolas em esferas de formulação, negociação e proposição política também receberá investimento dos Governos Federal, Estaduais, Distrito Federal, iniciativa privada e sociedade civil. A proposta é fomentar a participação e o controle social dos quilombolas, visando a aplicação dos direitos sociais e de cidadania.
TRANSFERÊNCIA DE RENDA E ASSISTÊNCIA SOCIAL A universalização do Programa Bolsa Família entre os quilombolas é outra meta da Agenda Social Quilombola. Serão milhares de famílias com incentivo do Governo Federal para cobrir as despesas com educação, saúde, alimentação e do orçamento doméstico em geral. Entre os beneficiários de cestas de alimentos, o Governo Federal almeja expandir a cobertura para mais 33.500 famílias quilombolas, ano a ano, até 2010.
Prestar assistência social às famílias quilombolas é a missão dos Centros de Referência em Assistência Social. Até 2010, o Governo Federal construirá unidades em mais de 850 municípios com comunidades quilombolas.
Importante mecanismo para identificar a situação alimentar e nutricional dos quilombolas, a Chamada Nutricional Quilombola tem revelado quadros de extrema pobreza e comprometimento do desenvolvimento físico dessa população. Projeta-se mais duas pesquisas para o período 2008 e 2010, a fim de gerar subsídios para políticas públicas que oportunizem uma alimentação saudável e garanta as condições básicas de nutrição dos quilombolas.
A Agenda Social Quilombola é mais uma estratégia do Governo Federal, desenvolvida em parceria com Governos Estaduais, Distrito Federal, Prefeituras, iniciativa privada e sociedade civil, para promover a igualdade racial e superar as desigualdades raciais e sociais no país. É mais cidadania, mais inclusão e mais dignidade para todos os brasileiros

segunda-feira

Bloco temático com participção da comunidade abriu o desfile de 2008

Reportagem Tonho Matéria
O MESTRE TONHO MATÉRIA NO COMANDO DO BLOCO DA CAPOEIRA LEVA DIVERSIDADE CULTURAL PARA A VENIDA

“Dança da malandragem, com muitos rituais. Brincadeira de movimentos com malícia. Na dança negra de pés no chão a agilidade da esquiva e a esperteza da fuga. E de repente, ante os olhos surpresos do adversário, o gesto rápido. O ataque fulminante. Então, prostrado, o inimigo se dá conta de que foi vítima da mandinga”. Isto é o que chamamos de capoeira, essa luta de resistência criada no recôncavo baiano pelos negros Bantos de Angola e que foi perseguida por muito e muito anos e hoje é tratada como patrimônio imaterial do Brasil e porque não dizer da Bahia. A capoeira foi proibida pela república e essa mesma república em uma outra estância lhe transforma em diversos pontos de cultura espalhados no país. Hoje, universidades, empresas particulares, academias, Industrias, canais de comunicação, etc. Vêem a capoeira como elemento de transformação social.
Duas semanas antes do carnaval, na cidade de Salvador, só se ouviam os burburinhos em todos os cantos, eram os amantes e praticantes de capoeira de varias partes do planeta que esperavam ansiosos para ver e participar do desfile do Bloco Afro Mangangá Capoeira, que saiu com o tema Capoeira e suas Culturas Aparentadas, sugerido pelo ex-diretor do Forte da Capoeira Dr. Leal.
Para contar essa história e tantas outras, o Bloco Afro Mangangá Capoeira pilotado por Tonho Matéria, que vestido com um figurino nas cores azul e prata simbolizando Ogum criado pela figurinista Diana Moreira, apresentou uma diversidade cultural na avenida e contou com diversas alas. Com a parceria de grandes amigos como Negra Jhô que trouxe as alas das baianas com uma big fantasia com papel de café, orixás e dança afro com pinturas no corpo que foi coreografado por Liu Arrison (Ator do Filme Ó Pai Ó) e supervisionado pelo mestre de capoeira e dançarino Flecha, além do Dançarino e Coreógrafo Monza Calabar que touxe da Argentina uma saia de Iemanjá de 6 metros de comprimento onde a rainha das águas salgadas deu a luz a todos os orixás na passarela.
A atriz Sue Ribeiro coordenou uma ala com terno de reis e folguedos nordestinos como maracatu, a burrinha, frevo e bumba meu boi que derão uma visibilidade e um colorido maravilhoso ao bloco e ao desfile. Mestre Pelé do Tonel com sua indumentária luxuosíssima e com tanta exuberância, provou que a sua energia não tem limites quando se fala em malabarismo com seu tonel. A Companhia de Dança e Ritmos da Bahia do mestre João de Barro também brilhou ao levar uma ala de capoeira show.
Maculelê, puxada de rede, bonecos gigantes, além dos Ogans Paulo Tré, Tatá e Alex, do terreiro Ilê Axé Odê Tolá, do Samba de Chula do contra mestre Boca e das orquestras de berimbaus do Grupo de Capoeira Abolição sobre a regência do contramestre Bobô e do Pólo de Capoeira do Município de Lauro de Freitas sobre a regência dos mestres Saci, Regi, Boca e Coveiro com 200 pessoas tocando berimbau e uma banda percussiva com 70 homens ao comando do maestro Bira Jackson que veio vestido com um figurino simbolizando Exu, também criado por Diana Moreira.
O Trio elétrico decorado por André Cunha foi coberto de palhas de mareô, ferramentas de Ogum, TVs de Plasma, laser e um canhão de chuva de confete na cor de prata. O bloco desfilou na quinta-feira, às 20h, no Circuito Campo Grande, fazendo uma homenagem ao lendário Besouro Mangangá, ou Manoel Henrique Pereira, soldado do Exército nascido no século XIX, em Santo Amaro da Purificação, e capoeirista conhecido que, segundo a lenda, tinha poderes sobrenaturais. No dia 2 de fevereiro no carnaval para Iemanjá, o bloco promoveu um belíssimo arrastão junto com Carlinhos Brown e o Cortejo Afro e na quarta-feira de cinzas mais de 2 mil capoeiristas acompanharam o Arrastão da Timbalada.
O sonho de colocar a Capoeira aconteceu quando em 2002 o Carnaval homenageava as raízes e heranças africanas. Daí então o publicitário, cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria começou a falar da capoeira como tema do Carnaval, o que só se concretizou depois de seis anos de tentativas. "Contei com a parceria do jornalista e produtor cultural Badá, do nosso Rei Momo Clarindo Silva e do ilustríssimo mestre Boa Gente, que não só ajudou pra que a capoeira fosse o tema do carnaval como criou uma ala de dança afro com diversos estrangeiros e seus alunos do Vale das Pedrinhas para o bloco. Além de vários capoeiristas que votaram pela Internet" revelou Matéria, que idealizou um megadesfile.
O Bloco da Capoeira não foi comercializado. "Os capoeiristas usaram suas próprias roupas e cada ala desenvolveu suas indumentárias", explica Matéria. "Cada Mestre ficou responsável por inscrever sua associação, que podia vir com quantos alunos quisesse", complementou.
Diversos grupos e associações de capoeira compareceram ao desfile do bloco como parceiros, são eles: Mangangá, Abolição, Topázio, Jalará, Kilombolas, Centro Cultural de Capoeira Angola Bonfim, Zumbi, Associação de Capoeira Mestre Bimba, Stela Mares, Esquiva, Associação de Capoeira Cobra Can, Bahia Capoeira, Alegria do Mestre Canjiquinha, Grupo de Capoeira Expressão Corporal, Filhos de Oxossi Guerreiro, Academia Regional de Itinga, Unicar, Capoeira Guerreiros, Iúna, Palmares, Kirubê, Educarte Vadiação, Maré, Calabar, Associação de Capoeira Mestre Boa Gente, Sete Quedas, Engenho, Camugerê, Raça, Ginga Nativa Capoeira, Mundo Capoeira, Vivendo e Aprendendo, Liberdade do Negro, Barro Vermelho, Corpo e Movimento, Porto da Barra, Guerreiros da Bahia, Solares, Pé Pro Ar, Nação Capoeira, Filhos de Oxalá, Mandela, Ganga Zumba, Centro de Cultura da Capoeira Tradicional Bahiana (Mestre Bola Sete), Grupo Cultural de Capoeira Angola Moçambique (Neco) e mestre Flecha. Além das participações especiais dos artistas Lucas Di Fiori (Olodum), Dado Brazawilly (Ex- Ara Ketu), Paulinho Feijão (Ex- Ilê Aiyê) e dos mestres de capoeira Já Morreu e Pelé da Bomba.

O Bloco contou com o apoio cultural do Governo do Estado da Bahia, Secretaria de Cultura e Secretaria do Turismo, Bahiatursa, Ministério do Turismo, Prefeitura Municipal de Salvador, Emtursa, Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, Pólo de Capoeira de Lauro de Freitas, Instituto Sol e Sol Embalagem, Guia Salvador Eventos, Revista Carnafolia, Jornal O Capoeira, Forte da Capoeira, Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Edson da União, Olívia Santana, Bahia Gás, Zoom Imagens, Maria Comunicação, União da Capoeira de Itapoã e Federação de Capoeira da Bahia (Fecaba).

Contatos: 71- 81269333 – 32569806 site

domingo

Salvador, a Capital Afro do Brasil

Por Géssica PedrosoA história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A maior baía brasileira, batizada com o nome “Todos os Santos” por ter sido oficialmente reconhecida por uma expedição Comandada por Gaspar de Lemos, acompanhado por Américo Vespúcio, em 1º de Novembro de 1501, reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo.
Salvador já nasceu cidade, capital do Brasil, sem nunca ter sido província, condição que perdeu em 1763, quando a capital do Brasil passou a ser a cidade do Rio de Janeiro. Em meados do século 16, serviu como maior porto de entrada de escravos africanos no Brasil. A cidade herdou costumes e tradições da África e é hoje um exemplo interessante da integração de culturas distintas, originando a mística cultura afro-brasileira.
Salvador é a terceira cidade mais populosa do Brasil (2.892.625 habitantes) pela estimativa de 2007, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. A Região Metropolitana, popularmente conhecida como “Grande Salvador”, é constituída pelos municípios de Camaçari, Candeias, Catu, Dias d’Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, Salvador, São Francisco do Conde, Simões Filho e Vera Cruz, tem população estimada em 3,7 milhões de habitantes sendo assim a maior metrópole do Nordeste e a 7ª cidade mais populosa da América Latina logo após Cidade do México, São Paulo, Lima, Bogotá, Rio de Janeiro e Santiago. A superfície do município de Salvador é de 706,8 km². Centro econômico do estado, é porto exportador, centro industrial, administrativo e turístico, tem diversas universidades e uma base naval.
A parte mais antiga da cidade é dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa, separadas pelo Elevador Lacerda, onde fica o Centro Histórico, e neste o Pelourinho. A Capital baiana projeta-se na Baía de Todos os Santos, assumindo um formato triangular, cujo vértice é o Farol da Barra. Dali partem duas avenidas principais: a Avenida Sete e a Oceânica. A primeira, leva para a parte antiga da Capital, chamada comumente de “Cidade”, ao passo que a segunda leva para a série de praias que se estendem da urbe até o litoral norte, passando pelos bairros mais novos e estruturados de Salvador, como Rio Vermelho, Pituba, Itaigara, Caminho das Árvores, Stiep, Costa Azul, entre outros.
Salvador é uma bela cidade, com muita história e riquíssimo acerco cultural e arquitetônico. Conhecer todas as suas igrejas, praças e monumentos é tarefa que requer bastante tempo, sem falar nas belas praias que são destino obrigatório de qualquer turista.
Entre os principais pontos de visitação podemos citar Catedral Basílica, Elevador Lacerda, Farol da Barra, Forte de São Marcelo, Lagoa do Abaeté, Memorial Irmã Dulce, Mercado Modelo, Museu da Cidade, Parque da Cidade, Parque Pituaçú, Pelourinho, Praça Castro Alves, Praça da Sé, Praia de Itapuã, Praias do Flamengo, entre centenas de outras atrações na cidade.
Além das igrejas, monumentos e praias, Salvador é a capital da maior festa popular do mundo, que o Carnaval da Bahia, que chega a atrair mais de 2,5 milhões de pessoas, que seguem os blocos em um dos três principais circuitos: Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Barra Avenida-Campo Grande) e Batatinha (Centro Histórico). Quer seja atrás dos trios, nos cordões, ou na multidão pipocando pelas ruas ou nos confortáveis camarotes, animação é o que nunca falta no Carnaval de Salvador. Os numerosos foliões que comparecem todo ano na cidade comprovam isso.

Samba de roda, patrimônio da humanidade


Por Gilberto Gil
Ministro da Cultura
Por considerar que, em sua diversidade, as manifestações culturais imateriais ou impalpáveis são patrimônio importante – e mesmo fundamental – da humanidade, a Unesco aprovou a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial.O Brasil, que consagrou o patrimônio imaterial em sua legislação em 2000, tem agora a possibilidade de contribuir para o enriquecimento do patrimônio imaterial da humanidade. O título de Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, conferido pela Unesco a manifestações culturais de diversos países, já tem dois representantes brasileiros: a pintura corporal e arte gráfica dos índios Wajãpi, desde 2003, e o Samba de Roda no Recôncavo Baiano, aprovado em novembro de 2005, durante a Terceira Proclamação.O Samba de Roda do Recôncavo Baiano merece o estatuto desse reconhecimento. Ele é um dos fundamentos de uma grande manifestação muito mais complexa, que é o samba brasileiro em seu todo. E, mais que isso, é a fonte, a matriz preservada de onde emana toda a grandeza dessa expressão musical.Sou um músico brasileiro que tem o Samba de Roda em sua formação básica. Até hoje, mesmo depois de meu contato e de minha natural contaminação com outros tipos de samba – como o carioca, o eletrificado e cosmopolita de Salvador e o de todo o Brasil – o impulso musical, estético de minha relação com o samba vem, basicamente, da vertente da Bahia, que é a mais natural, a mais próxima, a mais epidérmica na minha vida.Essa proximidade me mostra claramente que o Samba de Roda, que tem vida em Cachoeira, Santo Amaro, São Francisco do Conde, em todo o Recôncavo, continua fulgurando. Mas, por estar ligado a comunidades economicamente frágeis, acaba se ressentindo e precisa ser apoiado. Ao fortalecê-lo, estaremos alimentando a raiz e beneficiando a árvore toda e todos os galhos que saíram do Samba de Roda.

quinta-feira

Fleches do Carnaval 2008

Por Adenilton Cerqueira
UMA BICICLETA com duas caixas acústicas foi tudo o que o Bloco dos Primos precisou para se reunir e desfilar numa algazarra criativa. Nas costas de cada componente, a estampa de uma função específica na agremiação: cordeiro, cordeiro estagiário, peru dos primos, segurança, médico e serviços gerais. Todos em volta de um carrinho de supermercado com um isopor em cima e uma placa: OPEN BAR.


NO EMBALO de um minitrio pouco maior que uma bicicleta, 20 marmanjos trajados de Capitão Nascimento desfilaram na avenida, na tarde de sábado, cheios de amor pra dar. Com boinas militares, bermudas camufladas e um repertório de doer, o Trepa de Elite, cheio de autoconfiança, tentou arregimentar algumas soldadas de gargalhadas mais afoitas. “Se não agüentar, pede pra sair!”.


NUMA ESQUINA do Campo Grande, a jovem Bruna Abade, de Guanambi, encontrou o seu jeitinho bacana de garantir uns trocados. Sentada num banquinho de plástico, com estojo de maquilagem à base de guache, ela ofereceu o serviço de “pinturinha” facial aos foliões mirins. Numa folha de ofício, o cardápio com 12 opções e os preços: Entre R$2 e R$3. Nada mal.


A CADA ano parece que as coisas pioram em termos de poluição visual. Fotógrafos e cinegrafistas que o digam, na tentativa de produzir imagens que fujam das cataporas de patrocínio salpicadas entre os foliões. Este ano, além da multiplicação dos balões, inventaram uns cacetetes infláveis e os distribuíram aos milhares. É o preço da superexposição da festa.


NA LATERAL do circuito oficial (Campo Grande), as árvores foram feitas de camarote. Os pontos de poda viraram assentos e os galhos mais proeminentes foram confundidos com trampolins. É que na passagem de Ivete Sangalo com o bloco Coruja, no domingo, um dos espectadores herbais quase se atirou para cima do trio.


A elegância sutil do Cortejo Afro/Especial Carnaval 2008


Criado e comandado pelo artista plástico e designer Alberto Pita no final da década passada, o Cortejo Afro conseguiu um lugar entre a elite dos blocos afros, destacando-se sobretudo pelo apuro estético. Não por acaso, adota o slogan “elegantemente sofisticado”. A cada ano consegue – mesmo com muitas queixas de falta de patrocinadores – levar às ruas um desfile bonito, bem pensado e estruturado. Este ano, quem esperava o desfile em tons azul, branco e prata, marcas do Cortejo, se surpreendeu com sua passagem nos circuitos Osmar (sexta) e Dodô (domingo e segunda).
Em seu sexto Carnaval, o bloco apostou numa cartela bem mais variada de cores, com destaque para o vermelho e os tons terrosos. Tudo para levar às ruas com propriedade o tema Nações indígenas, num resgate de vários elementos da tradição indígena e dos antigos blocos de índio do Carnaval baiano. Muita pena, cocares e figurinos diferenciados para os cantores, diretoria, associados, ala de frente e até para os cordeiros, que receberam uma espécie de capa. Nas fantasias, um trecho da música Um índio, de Caetano Veloso.
O trio elétrico do Cortejo, um dos mais bonitos do Carnaval, foi inteiramente decorado, recebendo nas laterais representações de totens indígenas. “Queremos homenagear as várias nações e chamar atenção para casos como o do índio Galdino, que foi queimado vivo. Também estamos homenageando o Apaxes, o Comanches e os antigos blocos baianos, que por sua vez faziam referência aos índios americanos”, destacou Mônica Pitta, vice-presidente do Cortejo. Este ano, continuou, contaram com cerca de 2,5 mil associados. A ala de frente trouxe um grupo de senhoras do Mais Social, todas com mais de 55 anos.
Um dos destaques do desfile foi a bateria turbinada, com 230 homens e mulheres, 80 deles integrantes do grupo percussivo parisiense Batalá. A presença de grande número de estrangeiros – e de pessoas brancas – chama atenção no Cortejo, principalmente se comparado a outros blocos afros da cidade. Se os mais conservadores vêem o fato como um problema, para os associados esta é uma qualidade. “Acho que o Cortejo traz uma coisa nova. É sério e consegue interagir com todas as tribos”, destacou o cabeleireiro Elder Andrade, que acompanha o bloco desde o começo.
Também admirador do Cortejo, o secretário de cultura Márcio Meirelles, que desfilou no bloco na sexta-feira e no dia seguinte esteve na saída do Ilê, estabeleceu um paralelo entre os dois: “O Ilê é mais raiz, é a base. O Cortejo é a outra ponta. De alguma maneira elas se encontram e dialogam”, comparou. No desfile de domingo, o bloco foi brindado com a presença da modelo inglesa Naomi Campbell.
Se o Cortejo Afro já tem uma identidade visual incontestável, ainda lhe falta uma presença musical mais efetiva na folia. A ala de puxadores, que já contou com a cantora Mariene de Castro, Portela e Aloísio Menezes, é atualmente formada por Walmir de Brito e Marquinhos Marques. Especialmente para o Carnaval, contou com Márcia Short e Gerônimo, além do músico americano Arto Lindsay. “Participei dos ensaios, mas do Carnaval é a primeira vez”, afirmou Márcia Short. Com uma longa trajetória na festa, ela disse que o convite lhe proporcionou um antigo desejo, o de puxar um bloco afro, apenas voz e percussão. “Estou realizando um sonho. Vou colocar um pouco do Cortejo na minha história e um pouco da minha história no Cortejo”, prometeu.
No desfile de segunda-feira, no circuito Dodô, o carro alegórico do Cortejo Afro sofreu um princípio de incêndio, provocado pela alta temperatura de um refletor. O acidente, registrado pela Defesa Civil de Salvador (Codesal), foi controlado com o desligamento do equipamento e a farra continuou.

terça-feira

Ordem de desfile dos blocos causa polêmica

Por Adenilton Cerqueira
Há pelo menos quatorze edições do Carnaval de Salvador, a ordem dos blocos que desfilam nos principais circuitos da folia permanece a mesma. Os blocos de corda puxados pelas "estrelas da axé music" iniciam a festa no início da tarde, conquistam holofotes e arrastam multidões. Para os artistas independentes, blocos afro, afoxés, de índios e percussão só resta seguir o rastro deixado pelas estrelas e torcer para, em plena madrugada, encontrar foliões com boa resistência física e disposição.
No Carnaval 2008 não será diferente. Uma matéria publicada no site oficial do Carnaval de Salvador destaca que esse ano os blocos afro e afoxés desfilam durante o dia e, por isso, ganham mais visibilidade. O que é negado pela própria programação oficial divulgada no mesmo site e confirmado por representantes das entidades.
A ordem e duração de cada desfile foram definidas pelo Conselho Municipal do Carnaval em setembro do ano passado, durante assembléias com seus membros. Segundo o presidente do órgão, Reginaldo Santos, o critério é claro: os blocos mais antigos desfilam primeiro, em seguida vêm os blocos mais novos. Acontece que nesse critério só estão inclusos os blocos de trio. Afoxés, afro e percurssivos só começam a ocupar a avenida após às 19h (caso não ocorram atrasos). A única exceção são os Filhos de Gandhy, que desfilam domingo, segunda e terça-feira às 15h.
Para o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, "a fila é completamente anti-democrática. É um verdadeiro matadouro da galinha dos ovos de ouro". A opinião é compartilhada pelo coordenador geral do Fórum de Entidades Negras da Bahia e diretor do bloco afro Os Negões, Walmir França. "É um absurdo repetir esse modelo, onde os melhores horários são sempre disponibilizados para os mesmos blocos, porque os patrocinadores ganham muito dinheiro com eles", reivindica França e provoca: "Falta coragem das gestões municipais para mexer nessa ordem. É muito dinheiro envolvido".
O presidente da Associação de Blocos de Trios, Fernando Boulhosa, diz que "as reclamações dos blocos afro e afoxés não têm fundamento nenhum". Segundo ele, o Carnaval da Bahia podia ser fantástico antigamente, mas era completamente desorganizado e se continuasse do mesmo jeito, a tendência era acabar. "Fomos nós, os representantes do blocos de trio, que de forma pioneira colocamos ordem no desfile, quando criamos a fila. O critério é claro e democrático: os mais antigos ocupam os melhores horários, acompanhados pelos outros trios mais novos", explica Boulhosa.
Só em 2009 - Mesmo assumindo que é preciso discutir os critérios de escolha da ordem do desfile e garantindo que isso será feito para a próxima edição da festa, em 2009, Reginaldo ressalta que os blocos afro e afoxés não foram inclusos no critério de antiguidade quando a fila foi criada, "porque na época não tinham organização e estrutura adequadas para disputar o espaço". Reginaldo diz ainda que o horário da noite é reservado a esses blocos, porque ¿é impossível para os afro e afoxés desfilarem durante o dia, vai de encontro a práticas religiosas e a própria indumentária dos blocos, que não suportaria o sol de meio dia".
João Jorge, do Olodum, responde: "É mentira. Isso é uma grande distorção". O presidente da Associação dos Afoxés da Bahia, Edvaldo dos Santos, conhecido há 30 carnavais como Nadinho do Congo, é ainda mais incisivo: ¿É impressionante o preconceito e o desprezo com que a organização do Carnaval trata os blocos afro e afoxés".
Segundo Nadinho do Congo, cerca de 18 afoxés desfilam esse ano no Circuito Osmar, número, que seria muito maior se houvesse respeito e investimento nesses blocos "que expressam a verdadeira cultura baiana e ao longo do ano desenvolve projetos sociais de extrema relevância para a sociedade baiana". O presidente da Emtursa, Misael Tavares, não se posicionou, alegando que "o assunto diz respeito apenas ao Conselho do Carnaval".
Ética - No final de 2006 foi criado pelo Conselho Municipal do Carnaval, o Código de Ética e de Infrações do Carnaval, que estabelece normas de conduta de todos os blocos, trios e entidades, com detalhamento dos procedimentos, horários dos desfiles e as penalidades para quem descumprir as normas. Apesar de não ter sido colocado em prática em 2007, Reginaldo Santos garante que em 2008 ele deverá ser seguido a risca.
Por isso, o presidente acredita que os blocos afro, afoxés, entre outros não serão prejudicados caso os horários de desfile sejam rigorosamente cumpridos pelos blocos de trio. ¿Se eles cumprirem o que foi estipulado, os blocos afro e afoxés não desfilarão de madrugada".
Os representantes do Olodum e da Associação dos Afoxés da Bahia, João Jorge e Nadinho do Congo, respectivamente, alegam que a necessidade de se modificar a ordem do desfile para oferecer visibilidade a todas as entidades já foi anunciada em assembléias do Conselho em anos anteriores. "O Ministério Público tem que se posicionar. Eles conhecem a situação. Isso não é nenhuma novidade", destaca João Jorge.
O MP é o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento das determinações previstas no Código. As promotoras Heliete Vianna e Rita Tourinho afirmam que a ordem de desfile dos blocos foram debatidas em audiências promovidas pela própria Emtursa, em parceria com o MP em novembro de 2007. "Naquele momento, já não havia mais tempo hábil para se modificar a programação. Mas, para 2009 vamos, sim, recomendar ao órgão responsável que repense essa fila de blocos", sinaliza Rita Tourinho.

Bloco afro lembra o fim da escravidão

Na madrugada deste domingo, 3, um bloco afro lembrou os 120 anos da assinatura da Lei Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil. Em sua passagem pelo Campo Grande, o bloco Malê Debalê desfilou com 50 percursionistas, uma grande roda de capoeiras e diversas dançarinas. O tema do bloco este ano foi "Áurea, 120 anos. E nós?", em uma alusão à data em que a princesa Isabel assinou a lei que acabou oficialmente com a escravidão no país (13 de maio de 1888).

segunda-feira

Naomi Campbell desfila no Cortejo Afro


A top model Naomi Campbell desfilou no Cortejo Afro, no circuito Barra-Ondina, na noite deste domingo (3). O bloco fez homenagem às tribos indígenas.

Naomi tem se tornado figurinha fácil no carnaval de Salvador. Em nova visita ao camarote da rainha do axé neste domingo, ela não resistiu e desceu para a avenida Oceânica e acompanhar o desfile do Cortejo Afro.

Na noite de sábado (2), ela saiu no Ilê Aiyê e visitou o camarote de Daniela Mercury. A modelo estava acompanhada do publicitário Nizan Guanaes.
Mãe Santinha, que estava no alto do trio elétrico e foi cumprimentada pela modelo, disse que a homenagem aos índios do Brasil é uma justiça com o povo. “Eles representam a origem do país. Isso é a união dos povos e estou muito feliz por isso”, afirmou.


E ainda visitou camarote de Daniela Mercury

A top model Naomi Campbel visitou o camarote de Daniela Mercury na noite deste sábado (2) e agitou a folia entre os convidados da rainha do axé. Ela foi ciceroneada pelo publicitário Nizan Guanaes, que também levou a modelo para sair no Ilê Aiyê, em Salvador. Naomi viu a tradicional saída do Ilê na ladeira do Curuzu, na Liberdade, um dos bairros de maior população negra do país, cerca de 600 mil habitantes. Ela esteve com a ialorixá mãe Hilda Jitolun, de 85 anos, e depois seguiu com o bloco para o Campo Grande. Segundo informações da Polícia Militar, cerca de 3,2 mil pessoas acompanharam a saída do Ilê. A modelo internacional também foi acompanhada pela Deusa de Ébano Adriana Santos Silva, de 24 anos, que representa o Ilê Aiyê até o próximo carnaval.